Aquele das frescuras
Paro em algum lugar para tomar café. O drama começa. Olho esperançosa pra todos os itens do menu, mas a coisa é sempre a mesma: só tem café expresso. Café expresso tem um gosto muito próprio de desespero, é terrível e não melhora nem com todo o açúcar do mundo. Café, para mim, tem que ser forte, mas também tem que ser doce. Adoçado com açúcar, se só tiver adoçante é melhor tomar amargo. E coado. Prefiro café solúvel a café expresso.
Mas tá. Desisto do café e peço um cappuccino. Sem canela. E, pelo amor de Deus, sem chantilly. Não, moça, gelado, não. Quente, por favor. Cappuccino gelado não me desce. Café gelado é tão errado que dói lá no fundo do coração. Já que não vou tomar café, posso pedir alguma coisa para comer. Desde que não seja um doce. Eu consigo comer e beber cappuccino ao mesmo tempo, mas acho impraticável fazer isso com café. Não combina. Ou eu como primeiro, ou eu bebo primeiro. E se eu comer primeiro, o café esfria; se beber primeiro, eu fico com sede quando estiver comendo. É que nem refrigerante e bolo: não rola.
Aí eu espero. Tenho a impressão de que sempre que eu peço pra tirarem algum ingrediente do meu pedido, ele demora mais do que o normal – o que, se você quer saber o que eu acho, não faz sentido nenhum, já que menos ingredientes devia ser igual a menos trabalho e, consequentemente, menos tempo. Mas é sempre assim com o meu Cheddar sem cebola, o meu cheeseburger sem mostarda e o meu cappuccino sem canela. Quando eu finalmente vejo alguém vindo com a bandeja em minha direção, nem sempre tenho tempo de ficar feliz. Porque podem estar trazendo uma xícara alta e transparente: minha pior inimiga. É só eu botar os olhos numa xícara dessas que já fico com preconceito. Não importa quão gostoso vai ser o cappuccino, se ele tá naquela xícara ele já fica menos gostoso e as chances de eu voltar naquele lugar caem pela metade. Quem foi que inventou que combina tomar coisa quente em recipiente transparente? Nem é preciso dizer que detesto com todas as minhas forças tomar café em copo plástico, porque todas as pessoas confiáveis compartilham do mesmo sentimento. Mas, acreditem, o meu ódio pela xícara transparente quase chega ao nível do copo plástico. Imaginem o faniquito quando o caso é um copo plástico transparente, GRR. Se não for transparente, acho xícara ok: não é, assim, uma brastemp, mas funciona. Só me emociono de verdade quando vejo uma caneca alta e linda piscando pra mim de cima da bandeja. Assim tudo fica mais gostoso.
No meu mundo ideal, eu chego num lugar pra comprar café e o meu tio sai de trás do balcão com uma caneca alta e bonitinha cheia do café dele – o melhor café que já provei. Mas na vida real eu geralmente estou tomando o café meio aguado da cantina no temível copo de plástico. Não dá pra ser feliz todo dia.
Me esforcei muito, mas não consegui lembrar de nenhum outro livro que eu tenha levado tanto tempo para terminar de ler quanto O amor nos tempos do cólera. Comecei nos fins de fevereiro, depois de ter passado por férias muito produtivas na área de leituras e querendo mais que tudo continuar no mesmo ritmo até o fim do ano. Não consegui. Assim que as minhas aulas começaram, larguei o livro e comecei a pegar de vez em nunca para ler uma ou duas páginas. Juro que não consigo dizer o que é que me deu, já que eu gostei muitíssimo do livro desde as primeiras páginas. O caso é que só terminei porque já estava com uma vergonha imensa de mim mesma de tanto enrolar e li mais do livro no começo desse mês do que nos quase três meses antes dele.





E aí?