13 May 2012

Aquele das frescuras

Post by Karina Azevedo at 21:10 on Eu

    Paro em algum lugar para tomar café. O drama começa. Olho esperançosa pra todos os itens do menu, mas a coisa é sempre a mesma: só tem café expresso. Café expresso tem um gosto muito próprio de desespero, é terrível e não melhora nem com todo o açúcar do mundo. Café, para mim, tem que ser forte, mas também tem que ser doce. Adoçado com açúcar, se só tiver adoçante é melhor tomar amargo. E coado. Prefiro café solúvel a café expresso.
    Mas tá. Desisto do café e peço um cappuccino. Sem canela. E, pelo amor de Deus, sem chantilly. Não, moça, gelado, não. Quente, por favor. Cappuccino gelado não me desce. Café gelado é tão errado que dói lá no fundo do coração. Já que não vou tomar café, posso pedir alguma coisa para comer. Desde que não seja um doce. Eu consigo comer e beber cappuccino ao mesmo tempo, mas acho impraticável fazer isso com café. Não combina. Ou eu como primeiro, ou eu bebo primeiro. E se eu comer primeiro, o café esfria; se beber primeiro, eu fico com sede quando estiver comendo. É que nem refrigerante e bolo: não rola.
    Aí eu espero. Tenho a impressão de que sempre que eu peço pra tirarem algum ingrediente do meu pedido, ele demora mais do que o normal – o que, se você quer saber o que eu acho, não faz sentido nenhum, já que menos ingredientes devia ser igual a menos trabalho e, consequentemente, menos tempo. Mas é sempre assim com o meu Cheddar sem cebola, o meu cheeseburger sem mostarda e o meu cappuccino sem canela. Quando eu finalmente vejo alguém vindo com a bandeja em minha direção, nem sempre tenho tempo de ficar feliz. Porque podem estar trazendo uma xícara alta e transparente: minha pior inimiga. É só eu botar os olhos numa xícara dessas que já fico com preconceito. Não importa quão gostoso vai ser o cappuccino, se ele tá naquela xícara ele já fica menos gostoso e as chances de eu voltar naquele lugar caem pela metade. Quem foi que inventou que combina tomar coisa quente em recipiente transparente? Nem é preciso dizer que detesto com todas as minhas forças tomar café em copo plástico, porque todas as pessoas confiáveis compartilham do mesmo sentimento. Mas, acreditem, o meu ódio pela xícara transparente quase chega ao nível do copo plástico. Imaginem o faniquito quando o caso é um copo plástico transparente, GRR. Se não for transparente, acho xícara ok: não é, assim, uma brastemp, mas funciona. Só me emociono de verdade quando vejo uma caneca alta e linda piscando pra mim de cima da bandeja. Assim tudo fica mais gostoso.

    No meu mundo ideal, eu chego num lugar pra comprar café e o meu tio sai de trás do balcão com uma caneca alta e bonitinha cheia do café dele – o melhor café que já provei. Mas na vida real eu geralmente estou tomando o café meio aguado da cantina no temível copo de plástico. Não dá pra ser feliz todo dia.

07 May 2012

O amor nos tempos do cólera

Post by Karina Azevedo at 18:45 on Livros

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    Me esforcei muito, mas não consegui lembrar de nenhum outro livro que eu tenha levado tanto tempo para terminar de ler quanto O amor nos tempos do cólera. Comecei nos fins de fevereiro, depois de ter passado por férias muito produtivas na área de leituras e querendo mais que tudo continuar no mesmo ritmo até o fim do ano. Não consegui. Assim que as minhas aulas começaram, larguei o livro e comecei a pegar de vez em nunca para ler uma ou duas páginas. Juro que não consigo dizer o que é que me deu, já que eu gostei muitíssimo do livro desde as primeiras páginas. O caso é que só terminei porque já estava com uma vergonha imensa de mim mesma de tanto enrolar e li mais do livro no começo desse mês do que nos quase três meses antes dele.
Eu já tinha há muito tempo vontade de ler alguma coisa do Gabriel García Márquez e tenho que dizer que ele não me decepcionou e a sua fama é merecida: ele escreve de um jeito tão gostoso, tão apaixonante, que quando paro pra pensar tenho ainda mais vontade de me chutar pela demora. E acho eu que essa foi uma boa escolha para começar. Como muitos já devem ter lido em algum lugar, a história de O amor nos tempos do cólera é infinitamente linda, de um amor tão amor que eu não consigo explicar. E não sei se é só comigo, mas ela me pareceu tão possível, tão não-forçada, que eu nem consigo pensar agora em outra que tenha me dado a mesma sensação. Apesar disso, o que mais me encantou no livro nem foi a história em si – o que me conquistou de verdade foi o modo como ele descreve cada um dos personagens. Como se nenhum fosse mais ou menos importante, e um só aparece mais ou menos que outro. Adorei aquilo dele parar para falar de um personagem todas as vezes que um novo aparece, e falar deles de um jeito que me deixou a impressão que eu sabia tudo que se há pra saber sobre cada um.
Minha meta agora é assistir ao filme.