06 Aug 2011

História de uma condenada

Post by Karina Azevedo at 22:18 on Eu, Família, Infância

    Na tentativa de me convencer que eu fui o bebê mais chorão da família, os meus pais acabaram me contando (de novo) a história de quando eu quebrei o braço. A diferença é que agora eu percebi que foi naquela época que eu joguei fora todas as minhas chances de ir para o céu. Não adianta mais poupar comentários maldosos ou parar de torcer pra que gente chata não passe no vestibular, nada disso pode me salvar.
    Eu tinha um ano de idade, era magrela e não conseguia parar no lugar. Minha irmã tinha só dois meses, e foi por isso que a minha mãe não saiu com a gente quando o meu pai resolveu me levar junto com ele pro ginásio da cidade, onde algum campeonato inútil de futebol de salão estava acontecendo. Não sei como o meu pai pôde achar que eu ia passar um tempo gigantesco sentadinha olhando pra uma coisa que eu não entendia – e até hoje não entendo. O caso é que, reza a lenda, em algum momento eu comecei a andar de um lado pro outro e acabei caindo do degrau da arquibancada. Só isso: caí de um degrau pro outro. E quebrei o braço. Dizem as más línguas que eu chorei a noite inteira e fiz o maior baby-drama quando engessaram o meu bracinho. Além disso, eu derramava um oceano de lágrimas quando via a minha mãe sem nada no braço dela, o que fez com que ela passasse semanas com o braço enfaixado junto comigo. E ainda me contam que eu tinha o adorável costume de bater com o braço engessado nas grades do berço.
    O que me levou a ser condenada ao inferno com apenas um ano de idade foi o dia em que eu me livrei do terror que era o gesso. Acontece que a enfermeira que foi encarregada de tirar aquele troço do meu bracinho frágil era uma freira. Se vocês me perguntassem agora como uma criança pode fazer mal a uma freira, eu não saberia como responder. Mas, naquela época, eu tinha uma resposta preparada. Assim que a mulher terminou o seu trabalho e me libertou do gesso pesado, eu enfiei a mão na cara dela. Dei dois tapas na cara da freira, assim sem mais nem menos, com o meu braço recém-recuperado. Minha mãe ficou horrorizada, o médico teve uma crise de risos e disse que nem precisava de raio x pra saber se eu tava boa, a freira ficou sem saber o que fazer e, em algum lugar no além, São Pedro riscou o meu nome da lista de pessoas que podem ir pro céu.
    É óbvio que eu não me lembro de nada disso, então ainda considero a possibilidade dos meus pais terem inventado isso pra rir da minha cara em almoços de família.

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22 Responses to "História de uma condenada" | Add yours »

  1. Aug 29, 2011 @ 20:50 {}

    Hauheuhauea, sério mesmo?! Acho que você é a primeira pessoa que conheço (tá, via blog mas ok) que deu não só um, mas DOIS tapas no rosto de uma freira! Cara, coisas como essa não são vistas todo dia! XD

  2. Aug 29, 2011 @ 21:50 {}

    AHSDLKAJSEOWKDJWLKEDJWEDF ri muito tentando imaginar uma criancinha agredindo uma freira
    se eu fosse você frequentava mais a igreja hein! nnnn haha
    bjs

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