No dia 24 de maio de 1993, após oito meses de espera, vinha ao mundo um bebê chorão e careca. Mamãe chamou de Karina, prazer. Mas, como uma pessoa muito boa inventou os apelidos, não se incomode em me chamar por esse nome que me lembra margarina, e me chame só de Kah.
    Se você já fez as contas, vai perceber que eu tenho 17 anos. Moro numa cidade extremamente pequena, no interior do Paraná. Tenho irmã, gato, cachorro. Sou super irritante, aviso logo. Tagarela, curiosa, acho graça de tudo, tenho mania de fazer piadas sem graça, antissocial, reclamo de tudo, não gosto de ficar sozinha, odeio chuva, exagerada. Não sou de puxar conversa com ninguém, mas só porque eu nunca tenho o que falar. A minha imensa falta de criatividade sempre me deixa sem assunto. Sou muito chorona. Choro quando estou triste, choro de alegria, choro de raiva, choro lendo, choro vendo filmes, choro de emoção, choro surtando, choro de rir.
    Já estou no 3º ano e ainda não sei o que quero fazer da vida. Aliás, isso é uma das (muitas) coisas que me desespera. Adoro música, adoro ler, adoro café, adoro McFly, adoro abraços e adoro dormir. Também adoro que me façam rir – e isso não é nada difícil. Mesmo que às vezes eu seja uma eca total, eu geralmente sou fácil de lidar, e meu mau-humor não costuma me afetar por muito tempo. Muitos sonhos que eu espero realizar. E se cada vez que o meu pai implicasse comigo ele me desse um real, eu estaria muito rica agora.
    É, é isso.

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